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Hoje, 31 de outubro de 2017, comemora-se 500 anos desde que um monge agostiniano resolveu afixar suas 95 teses (que nada mais eram do que proposições para debate) na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, Alemanha, marcando assim a Reforma Protestante.

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por Rev. Reginaldo Côrrea de Carvalho

Ações reformadoras estavam a alguns séculos se manifestando e sendo sufocadas pela força da Igreja Romana em várias partes da Europa. John Huss, Savonarola e Wycliff são os mais conhecidos questionadores. Os movimentos que eles encabeçaram infelizmente não conseguiram mudar o Status Quo religioso.

Esses homens propuseram ações e mudanças que os Reformadores Lutero e Calvino efetivamente conseguiram implantar. Entre elas: 1) Bíblia na língua do povo; 2) utilização dos “leigos” na propagação do Evangelho; 3) fim das superstições e crendices entre o povo de Deus; 4) adequação da liturgia a fim de torná-la mais simples e inteligível.

As contestações à doutrina e à prática Romanista por parte de Lutero fizeram com que essa Igreja começasse a perder sua hegemonia religiosa e social no ocidente. Nascia um movimento que criticava, acidamente, os desvios ocorridos em Roma e que, ao mesmo tempo, propunha um retorno à simplicidade do Evangelho conforme se vê nos documentos bíblicos acerca da Igreja do Primeiro Século.

A Igreja Romana, fruto de seu tempo e de sua altivez, não estava aberta a ver e reconhecer seus erros, muito menos ouvir o “petulante” monge que queria reverter séculos de desvios e apostasia. O resultado foi a segunda grande cisão no seio da cristandade (a primeira foi a separação em 1054 entre Igreja Ocidental e Oriental, ou seja, Igreja Romana e Igreja Ortodoxa). 

O movimento Reformado foi, sem dúvida, uma enorme benção, não somente para os alemães, como também para o mundo inteiro. Até mesmo a Igreja Católica Romana se beneficiou com a Reforma Protestante, pois, ainda que mais tarde e com a finalidade de combater os protestantes, teve que repensar algumas de suas práticas, entre elas, a venda de indulgências.

Deve ser dito, à bem da verdade, que o movimento Reformador nos primórdios de seu surgimento, não tinha grandes pretensões de conquistar o mundo. Tal intento só se deu pouco mais de um século a partir da Reforma. Inicialmente com o movimento moraviano do século XVIII; depois, através do ousado sapateiro Inglês William Carey, pai das missões evangélicas modernas.

Então, diante desses fatos, pode ser afirmado que a Reforma Protestante foi indiferente com os povos e países deste mundo? Os crentes daqueles dias não se importavam com a salvação dos perdidos? Por um lado, a resposta pode ser sim; por outro, não.

Aqueles que aderiram à Reforma Protestante estavam inicialmente mais preocupados com a sua sobrevivência do que com a propagação das Boas Novas. Eles ainda estavam se organizando como Igreja, dando os primeiros passos na fé reformada e se estruturando eclesiasticamente. Lembremo-nos que naqueles dias o continente americano estava recém-descoberto pelos europeus. Tenhamos em mente também que as informações e o conhecimento eram limitados para a esmagadora maioria da população. Viagens internacionais eram uma aventura perigosíssima. Por fim, é inquestionável que muitos cristãos daqueles dias identificaram o cristianismo com a Europa. Assim, muitos e diferentes eram os obstáculos a serem transpostos a fim de alguém se candidatar a fazer missões transculturais, especialmente fora do continente europeu. 

Por outro lado, houve, sim, preocupação e ações concretas de missões e evangelização “dos outros”. Quer intencional ou não, o fato é que a fé protestante começou a se espalhar pela Europa. Os assim chamados países escandinavos receberam a presença e a ministração de crentes e pastores luteranos. Em pouco tempo, aquela parte do mundo era protestante.

Outro exemplo é a cidade de Genebra, na Suíça. Ela se tornou um grande centro de propagação das ideias e dos ideais do protestantismo calvinista. E de lá o evangelho alcançou diversos países europeus. Escócia, Inglaterra, Hungria, Países-Baixos (Holanda), França, entre outros, receberam a presença de crentes e líderes que disseminaram a nova fé cristã. 

Houve esforços para alcançar terras além-Europa. Porém, inicialmente foram poucas e tímidas as tentativas de propagar o protestantismo mais alhures. E quando se conseguia pisar em solos estrangeiros, forte oposição romanista se levantava.

O Espírito Santo, porém, nos séculos XVIII e XIX operou poderosamente quebrando os grilhões do comodismo e da indiferença na Igreja. O Senhor por graça e misericórdia preparou aquele tempo para que seu povo pudesse pregar a salvação mais além da Europa.

A partir de então as missões transculturais protestantes alcançaram todos os países e continentes do mundo no início do século XX. Desde 1780 até 1914, pela primeira vez se pôde dizer que o cristianismo era mundial – ainda que não se fizesse presente em cada etnia ou grupo humano distinto.

Neste ano devemos comemorar a Reforma Protestante com muita alegria. Devemos, à semelhança dos reformadores, nos preocupar com a sã doutrina. Mas, também devemos nos importar com os povos que jazem nas trevas do pecado e alienação de Deus.

Precisamos de pessoas como Lutero e Calvino. Mas também precisamos de homens e mulheres semelhantes a Zinzendorf e a William Carey, que levantem a sua voz para asseverar que Deus ama as nações e quer salvar aqueles que nele crerem.

Que o melhor do espírito da Reforma esteja presente entre nós, cristãos do século XXI.

rev-reginaldoRev, Reginaldo Côrrea de Carvalho é casado com Priscila e pai do Gabriel e do Filipe. Também é pastor da Igreja Presbiteriana Betânia, em Vicente Pires-DF e professor da graduação e da pós-graduação do Seminário Presbiteriano de Brasília. É o atual diretor do Ceam – Centro de Estudos Avançados de Missões, da Amide, onde leciona diversas disciplinas, entre elas: História da Igreja, Hebraico, Hermenêutica e Escatologia.

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