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Família Aziz promovendo doação de roupas para refugiados.Vivemos a maior crise de refugiados de todos os tempos. Estima-se que existam hoje mais de 65 milhões de pessoas que deixaram suas casas e estão em trânsito para algum outro lugar em busca de melhores condições de vida para si e suas famílias. A maioria delas não teve outra opção a não ser fugir por causa da guerra, pobreza extrema ou das catástrofes naturais que as atingiram. A pergunta que fica é: como cristãos, o que temos a ver com isto?

Como Igreja de Cristo não podemos ficar apáticos e indiferentes ao momento que estamos vivenciando no mundo. Deus ama os refugiados e a verdade é que existem muitos textos na Palavra sobre como deveríamos trata-los. Deuteronômio 10.18,19 é um deles e diz: “Ele [Deus] defende a causa do órfão e da viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe alimento e roupa. Amem os estrangeiros, pois vocês mesmos foram estrangeiros no Egito”. O defensor da causa do estrangeiro é o próprio Senhor e Ele quer que nós amemos os refugiados como Ele mesmo os ama.

A guerra na Síria e no Iraque já gerou dezenas de milhões de refugiados internos nestes países ou espalhados pelo Oriente Médio e pelo mundo afora. Ainda assim, no meio do sofrimento e da dor, da morte e da destruição, testemunhos de conversões em massa e da atuação única do Espírito Santo são cada vez mais frequentes por toda a região, mesmo nos lugares mais fechados, como em regiões tomadas pelo Estado Islâmico ou em outras que antigamente quase não se ouvia falar de frutos, apesar do trabalho árduo de missionários. Deus quer alcançar a todos os povos e tem tornado a maior crise de refugiados da história em uma oportunidade única para a pregação do evangelho e para praticarmos o amor ao órfão, à viúva e aos estrangeiros.

Movidos por uma convicção – a de que precisávamos fazer parte do que Deus está fazendo no momento – deixamos tudo no Brasil e nos mudamos para o Oriente Médio para pastorear uma pequena igreja fundada por um refugiado iraquiano que imigrou para os EUA , de igual forma para dar continuidade – juntamente com os cristãos nativos de nosso país – ao socorro aos milhares que continuam se refugiando onde moramos.

Estamos há três anos servindo na Jordânia, considerada pela Anistia Internacional, em dezembro de 2016, a nação com o maior número de refugiados no mundo. Servimos cerca de 1.500 famílias, em sua maioria refugiados sírios, e temos diferentes projetos para atender a comunidade, como uma clínica médica-odontológica e outra fitness, um centro comunitário que atende crianças, mulheres e jovens com atividades educacionais e de profissionalização e geração de renda, uma casa de hóspedes para receber voluntários, um projeto de futebol e um sistema regular de distribuição de recursos de ajuda humanitária. Pouco a pouco temos visto Deus realizar milagres e alcançar o coração de muitos dos refugiados. O serviço é holístico e os frutos são para a eternidade.

Como pastor de uma igreja em trânsito, a experiência de trabalhar com povos em diáspora é algo muito marcante e complexo. Primeiramente, vale ressaltar que nosso contexto torna muito mais evidente a necessidade de um ministério baseado numa visão da missão integral de Deus. Não há como apenas pregar para o refugiado sobre as verdades espirituais e não atender sua necessidade latente por comida, roupas, saúde e educação. No refúgio, os imigrantes tornam-se ainda mais marginalizados do que os marginalizados do local. Por isso, temos buscado vagarosamente atender suas maiores necessidades enquanto levamos a eles o amor de Cristo. Pensando no texto de Deuteronômio, estamos amando o imigrante por meio das palavras e das ações.

Em segundo lugar, o ministério com refugiados é complexo por lidar com pessoas que enfrentaram traumas terríveis. Alguns perderam tudo para manterem sua fé em Cristo Jesus, ao serem perseguidos por fundamentalistas islâmicos. Outros são muçulmanos simples que fugiram da guerra, mas agora são estereotipados como sendo terroristas. Servir aqueles que estão com o coração ferido é algo trabalhoso e que demanda muita sensibilidade espiritual e paciência. Ainda assim, o Espírito Santo tem feito sua obra e é muito lindo ver as vidas sendo transformadas.

Por fim, pastorear uma igreja de refugiados é doloroso. O pastor cuida das ovelhas, entretanto, o imigrante é uma ovelha que parte. Ela ainda está buscando o pasto adequado. Somente na Jordânia são três milhões de exilados aguardando refúgio em algum país do ocidente. Isto significa que depois de todo o trabalho integral de cuidado com as ovelhas, nós – pastores de refugiados – as enviamos  para outros pastos. Já perdi a conta de quantas famílias atendemos que imigraram para o Canadá, Austrália, Alemanha ou outros lugares. Muitas vezes sofremos com as famílias por causa de tudo o que enfrentaram até chegarem até nós, então, choramos com elas e clamamos a Deus por uma oportunidade de imigração, aí as servimos com todo nosso coração, e finalmente elas partiram. Nosso coração sente, mas se alegra por saber que a missão foi cumprida.

Dessa maneira, o desafio do pastor de refugiados é preparar as ovelhas para que elas possam se tornar missionárias e efetivamente serem sal e luz por onde passarem até que se estabeleçam em seu novo lar. Ao mesmo tempo, como cristãos, cremos que somos todos refugiados. Somos imigrantes, em terra forasteira, aguardando irmos para nossa pátria celestial. Neste sentido, aprendemos muito com os refugiados e os ensinamos também sobre a necessidade de não supervalorizarmos as coisas terrenas, pois o refúgio nos ensina que tudo neste mundo pode colapsar, mas se mantermos nossa fé em Cristo poderemos um dia desfrutar do nosso lar eterno.

 

por Pr. Homero Aziz
Diretor-executivo
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